Um outro lado de Punta Arenas

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Poucos quilômetros terra adentro após cruzarmos o Estreito de Magalhães em direção à Punta Arenas, cidade chilena famosa pela sua zona franca, fomos surpreendidos por uma misteriosa e sombria vila abandonada à beira da estrada, a Estância San Gregório. Este não foi o único encontro que tivemos com lugares e objetos abandonados em Punta Arenas. Por este motivo, pudemos conhecer uma cidade totalmente diferente do que imaginávamos e já tínhamos ouvido falar. Estes atrativos nos fizeram enxergar um outro lado de Punta Arenas, muito além de sua fama de local para fazer compras.

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Navio abandonado nas proximidades de Punta Arenas

A Estância San Gregório, em seus áureos tempos, foi a maior estância do Chile e de toda a patagônia, com seus mais de 91 mil hectares (um território cerca de 50% maior que o do Parque Nacional Tierra Del Fuego). Fundada em 1870, perto de um porto e da estação do trem, suas terras abrigavam mais de 120 mil animais, entre vacas, bois, cavalos e muitas ovelhas. Por conta da dimensão e importância da estância, ao seu redor foram construídas casas, galpões, uma igreja, currais e uma pequena estrutura para embarcações.

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A Estância, na época, era a maior de toda Patagônia

Tudo isso foi abandonado e deixado para trás em 1932, quando a estância encerrou suas atividades. A partir de então, a misteriosa vila começou a ser motivo de histórias que relatam a aparição de assombrações, em especial a de uma anciã que normalmente observa as pessoas por de trás das janelas. Quando passamos na estância, o local estava deserto e fazia muito frio, nos dando ainda mais a sensação de estarmos em um lugar mal assombrado. Não nos deparamos com nenhum fantasma nas janelas da vila, mas repare bem nas fotos para talvez encontrar alguma assombração da Estância San Gregório.

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Diz a lenda que uma anciã observa os viajantes atrás da janela. Alguém a viu nesta foto?

Punta Arenas nos surpreendeu também por suas ruas e praças muito bem cuidadas e planejadas, nenhum lixo jogado nas calçadas e por sua bela orla às margens do Estreito de Magalhães. Toda esta harmonia e elegância que encontramos a cada esquina, nos chamou muito mais atenção do que a zona franca da cidade, onde não encontramos preços tão atrativos, nem variedade de produtos. A única compra que fizemos, pelos preços interessantes, foi em um supermercado.

Outra visita que nos intrigou foi a Puerto Del Hambre, que fica cerca de 50km ao sul de Punta Arenas. Em 1584, a Espanha se arriscou em uma tentativa de colonizar a zona mais austral da Patagônia, fundando a então cidade Rey Don Felipe. Três anos após a inauguração do povoado, dos 103 colonos, religiosos e soldados que mudaram para a cidade, apenas um foi encontrado com vida. Devido às condições adversas, como o extremo frio, vento e aridez e o isolamento da região, os colonos morreram de fome. Por este motivo o local ficou conhecido como “Porto da Fome”. As únicas ruínas restantes da cidade são as pequenas paredes e o altar de pedra da igreja. Apesar de não ter encontrado um passado tão conservado quanto na Estância San Gregório, ir ao Puerto Del Hambre nos possibilitou conhecer e sentir um pouco das adversidades que os colonos espanhóis enfrentaram nesta frustrada tentativa de colonização.

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Ruínas da Igreja. Em destaque, o altar de pedra.

Nossa passagem por Punta Arenas nos revelou gratas surpresas, já que a cidade esconde tesouros que estão muito além dos seus centros comerciais e de roteiros turísticos convencionais.

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