Um dia é da caça e o outro do caçador

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Um dos grandes objetivos de nosso Mochilão pelo Brasil era chegar de carro ao Jalapão, no estado do Tocantins.

Chegado o dia, partimos bem cedo da Serra da Capivara, ainda no Piauí, em direção à cidade de Mateiros, na região norte. Os dias anteriores foram de muita chuva na região, o que nos deixava um pouco preocupados. Mesmo assim, decidimos seguir em frente.

Jalapão
No Parque Nacional das Serras das Confusões, ainda no estado do Piauí, as grandes poças d’água nos alertavam o que viria pela frente

Sabíamos que enfrentaríamos muita estrada de chão neste dia, mas não imaginávamos o tamanho do desafio. Era umas quatro horas da tarde quando avistamos a estrada de chão que leva à Mateiros. Paramos no posto que tem bem no trevo e decidimos conversar com os moradores locais, que, unanimemente, nos desaconselhavam a seguir pela estrada. Alguns alegavam o excesso de buracos, enquanto outros nos alertavam sobre os atoleiros enormes que se formam na época das chuvas. Paramos o carro, refletimos um pouco, mas o espírito aventureiro falou mais alto. Decidimos seguir!

Jalapão 1
Mesmo contra indicações, seguimos rumo ao tão esperado Jalapão

O primeiro trecho de estrada de terra, que termina no vilarejo de Coaceral, é um martírio. São cerca de duas horas e meia para completar os 70 km de estradas de terra, mesclado com os restos de um asfalto esburacado, que dificulta ainda mais o trajeto. Quando chegamos em Coaceral fomos logo procurar por informações sobre o caminho. Gentilmente, um morador local, com sotaque gaúcho, desenhou o caminho que deveríamos passar. Seguimos fielmente suas ordens por 40km, dirigindo por inúmeros atoleiros e enormes fazendas, que de tão planas, se perdiam no horizonte.

Jalapão 2
Logo nos deparamos com a estrada de chão

Ainda faltava mais de 80 km até Mateiros, uma das portas de entrada para o Jalapão, quando nos deparamos com dois caminhões atolados, fechando a estrada. Ambos ficaram presos nas imensas “lagoas” que se formaram nas estradas de chão às margens das fazendas. Fomos avisados, anteriormente em Coaceral, que este é o único caminho que leva à Mateiros, ou seja, estávamos sem alternativas.

Jalapão 4
A noite caía e, a medida que a estrada avançava, as poças d’água aumentavam

Além disso, um dos caminhoneiros que estava à deriva, nos alertou que, quilômetros à frente, tinham poças de água enormes e muito profundas. Contudo, ainda que desejássemos seguir em frente, mesmo com todos estes desafios, era impossível. A estrada estava fechada e o dia já escurecia. Não tínhamos tempo a perder e decidimos retornar todo o caminho que havíamos passado, ou seja, mais de 110 km de estradas de chão.

Jalapão 5
Já tínhamos ido longe demais neste dia…

Voltamos com um forte aperto no coração, um desejo insaciável de alcançarmos os destinos que havíamos planejado para a viagem. Contudo, são nestes momentos, principalmente, que se vem os maiores aprendizados: nunca é tarde para voltar atrás e refazer os planos. Um dia é da caça e o outro do caçador.

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