Dublin, a nossa porta de entrada na Europa

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Nosso visto de permanência no Canadá como turistas já chegava ao fim quando deixamos o país. Após quinze meses, dezesseis países e quase cinquenta mil quilômetros de estrada era hora de deixar as Américas para traz.

Um novo continente nos esperava. Cruzamos o Canadá inteiro da costa oeste à leste, saindo de Vancouver até Toronto de avião. Era fevereiro e o rigoroso inverno deixou a cadeia de montanhas rochosas do meio oeste do país inteiramente coberta de neve. A vista de lá de cima do avião foi de tirar o fôlego.

Os nossos corações se despediam apertados de cada montanha, de cada país, de cada momento incrível que vivemos nessa primeira e marcante etapa da nossa Volta ao Mundo de carro.

De Toronto, embarcamos para a Europa. Nossa primeira parada era Dublin, a mística e nublada capital da Irlanda.

Logo de cara uma grande mudança: o fuso horário. Foram duras nove horas de diferença que tivemos que enfrentar ao cruzar do Pacífico até o Mar da Irlanda.

Chegamos e a nossa prima Carol e o noivo dela, Eliseo, nos davam as boas-vindas no aeroporto. Do banco de trás do carro deles, fomos observando as construções, as pessoas, o ritmo. Tudo estava diferente. Logo que nos aproximamos da casa da Carol, as casinhas de tijolos vermelhos e as ruas tranquilas tomaram conta da paisagem.

Típica construção da capital irlandesa.

 

A Irlanda foi a nossa escolha como primeiro ponto de parada no velho continente, pois na Ilha teríamos hospedagem na casa da nossa prima, enquanto o Mochileiro também estava sendo preparado para cruzar para a Europa de navio. Além disso, no continente teríamos que nos adaptar com um problema que antes não tínhamos nas Américas: o limitado visto da Zona Schengen. 

A maioria dos países da Europa Ocidental faz parte de um tratado que permite a permanência de turistas brasileiros somente por noventa dias dentro de um prazo de seis meses. Sendo assim, ficando na Irlanda, que não faz parte deste acordo, economizaríamos o nosso visto para viajar com o Mochileiro.

A escolha de roteiro foi estratégica e acertamos em cheio o nosso primeiro destino. Como boas-vindas, a Carol nos levou para conhecer os tradicionais e famosos pubs irlandeses. E eles são exatamente como vemos nos filmes. Aquele clima de bar medieval, com muita música típica e cerveja. Entre todos os pubs que conhecemos, o mais famoso e tradicional é o Temple Bar.

O Pub mais famoso de Dublin!

 

Mas não foi somente a agitação dos pubs que nos chamou a atenção na Irlanda. O movimento nas ruas centrais da cidade foi um verdadeiro choque de culturas. Estávamos há muito tempo vivendo o ritmo mais frio e individualista do Canadá e Estados Unidos, onde todos se locomovem de carro e praticamente não vemos pessoas nas ruas. Turistas, estudantes, músicos e irlandeses andando de um lado para o outro nas ruelas e calçadões do centro da capital. Este calor humano estava fazendo falta.

Assim, nos dias que passamos em Dublin, gostávamos de passar o tempo caminhando pela famosa região do Temple Bar, que ainda preserva a sua planta medieval, com muitas ruas estreitas e empedradas. Passávamos horas observando o movimento e assistindo às apresentações dos músicos de rua, que nos levavam aos cenários do filme Once, filmado na capital. 

 

Mas os nossos dias em Dublin foram interrompidos por uma grande surpresa, a maior nevasca dos últimos anos atingiu a Europa e deixou a Irlanda debaixo de neve. Os moradores estavam assustados e diziam que algo parecido não acontecia há dez anos no país, onde é bastante raro nevar. Aulas e trabalhos foram cancelados, as ruas foram fechadas e os supermercados pareciam ter saído de um filme de apocalipse zumbi. Foi divertido ver a cidade inteira parada devido à mesma neve que estávamos tão acostumados no Canadá.

Passeando na neve com a Carol.

 

Antes de ir embora da capital, ainda separamos um tempo para conhecer um dos destinos mais cobiçados de Dublin: a lendária Old Library.

 

Esta antiga biblioteca já foi cenário de um dos filmes da saga Star Wars e guarda o livro mais antigo e conservado de toda a Europa, o Book of Kells, datado do século VIII. Foi impressionante caminhar por esse longínquo e imponente corredor da biblioteca, por entre livros milenares e uma arquitetura sublime. 

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